
Por Thayná Coimbra
Ontem, o recém criado Centro de Estudos e Projetos da Cidade (@CENTRAL_PUC), promoveu seu primeiro evento. O CENTRAL é uma federação de pesquisas de diferentes departamentos. A pesquisa sobre Teorias da Cidade que eu realizo sob orientação da professora Maria Alice Rezende de Carvalho é uma das pesquisas do projeto.
Evento de estréia, a palestra com o Arquiteto e Urbanista argentino Jorge Mario Jáuregui organizada pelos professores Maria Alice Rezende de Carvalho (PUC-Rio) e Pedro Cunca Bocayuva (PUC-Rio) lotou o auditório da PUC. Jáuregui desenvolveu diversos projetos de Urbanização. Foram mais de vinte favelas cariocas, do Favela Bairro ao PAC. "Urbanizar favelas implica em escutar as demandas e enfrentar o caos até convertê-lo em forma",ele diz. O arquiteto chama atenção também para a importância do diálogo entre disciplinas como a Sociologia, Psicanálise, Arquitetura, Urbanismo e muitas outras. É preciso olhar simultaneamente o mundo em geral e as partes -o desafio é construir junto aos interesses populares gerando projetos socioespaciais que conectem o micro com o macro.
Segundo Jáuregui, o projeto urbanístico instaura na favela a dimensão simbólica do que é público, já que antes todos os espaços eram privados - A professora Maria Alice levantou, porém, uma questão: qual a conseqüência dessa intervenção que introduz uma forma de público que não nasceu ali na favela, que foi introduzida pelo arquiteto?

Obviamente que são múltiplas as problemáticas que envolvem a criação de um projeto de urbanização em comunidades, sem falar nas especificidades. Falar, portanto, em "Direito à cidade", no Rio de Janeiro, significa compreender que estamos lidando com uma metrópole fragmentada. Ou seja, faltam muitas coisas nesses territórios e em muitos deles o Estado só se faz presente na forma de Polícia. Como decidir então o que é prioridade nesses projetos? Quem decide o que é prioridade? Prioridade para quem? É de extrema importância a tentativa de priorizar nos projetos tudo que ainda falta aos moradores como saneamento, habitação, esporte, lazer,trabalho, serviços, educação. Dar condições dignas de vida. Mas é possível ir além...
O arquiteto levantou questões que pareceram polêmicas para algumas pessoas da platéia, como a criação da Rambla da favela – La Rambla , diversas ruas que se juntam em Barcelona – e o Pompidou da favela – Centre national dart et de culture Georges Pompidou um dos centros culturais mais espetaculares do mundo, localizado na França. Definitivamente, são projetos ousados ($), e acredito que o essencial seria ter moradores do alemão ou de outras favelas na platéia, para ouvirmos opiniões de moradores. Tenho certeza que os moradores não querem elefantes brancos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário